quarta-feira, 16 de julho de 2008

CDs NEM 1 AI & NOITES DE GALA, SAMBA NA RUA: um é sucesso... e o outro: também.

"Mônica Salmaso afirmara para mim, certa feita, que apesar de totalmente mergulhada e focada na Turnê do CD Noites de Gala, Samba na Rua, estava muito feliz e orgulhosa do lançamento de seu outro CD "Nem 1 ai" que a Biscoito Fino fizera em meio ao sucesso de público e crítica dos shows que circulavam o Brasil naquele momento. Não diferente, muitas foram as pessoas que ficaram igualmente felizes em ter um outro registro fonográfico da Mônica. Estamos: eu, você e a Mônica felizes, certo? Certo... Então ficamos combinados assim: NEM 1 AI & NOITES DE GALA, SAMBA NA RUA: um é sucesso... e o outro: também...".
Valéria Nanci




"Mônica Salmaso lança disco gravado há oito anos
Nem 1 ai destaca diálogo da cantora com grandes músicos




Mônica Salmaso constrói sua carreira de maneira íntegra e sólida: sua voz afinadíssima faz par com repertório cuidadosamente selecionado e músicos de grande valor. A cantora procura sempre a perfeição. Sua voz é certeira, a interpretação carrega na sensibilidade e os arranjos são cuidadosamente lapidados para esses encontros . Mais um exemplo desse processo artesanal e pouco convencional de trabalho está em Nem 1 ai, gravado em 2000 e só agora editado em CD pela Biscoito Fino.
Em busca da emissão perfeita e da nota cuidadosamente afinada, Mônica segue um caminho que não é nada fácil. Um show seu é como um concerto de música popular. Seus discos são gravados em laboratórios, em que os músicos e a cantora se juntam em uma incansável viagem que busca os elementos perfeitos para a fórmula funcionar. Nesse ambiente de limpeza perfeita, às vezes a emoção da cantora fica em segundo plano em prol da técnica. Essa assepsia não pode (melhor, não poderia) ser confundida com frieza.
Mesmo em um caminho não convencional Mônica Salmaso vem aumentando seu alcance aos poucos, construindo uma relação sólida e consistente com o público. Não é o trajeto mais fácil, mas traz a certeza e a confiança do que é verdadeiro quando toca fundo no sentimento das pessoas. Quem se identificar com sua arte vai ser fiel a cantora que não faz concessões.
Em 2007 Mônica lançou seu melhor trabalho, o disco mais quente de sua carreira. Dividindo com o excelente grupo Pau Brasil (que merece no mínimo 50% do mérito), a cantora interpretou composições de Chico Buarque em Noites de gala, samba na rua. As releituras agradaram tanto que até o próprio homenageado se encantou, convidando Mônica para dividir com ele o palco do Circo Voador.
Nesse sentido Nem 1 ai não alça vôos mais altos. Os elementos que fizeram Mônica chegar até aqui já estão todos nesse álbum, gravado há oito anos. O repertório foge do óbvio e prima belo bom gosto, excelentes músicos fazem par com a cantora em arranjos tão bonitos quanto sofisticados. Mas não chega a superar os dois últimos trabalhos assinados por ela.
Uma das mais louváveis características de Mônica Salmaso é que ela não se apresenta como uma cantora acompanhada pela banda. Ela faz questão de se colocar em meio aos músicos, mais uma integrante. Sua fiel parceria com o produtor/compositor/baixista Rodolfo Stroeter garante o sucesso desse formato. Em Nem 1 aí a dupla conta com outros grandes talentos como os de André Mehmari (piano), Tutty Moreno (percussão), Nailor Proveta (sopros) e Toninho Ferragutti (acordeon). Todos com participação fundamental no trabalho e devidamente creditados na capa.
O repertório passa suave por músicas bem conhecidas como Derradeira primavera (Tom e Vinicius) e Joana francesa (Chico Buarque). Visita o universo de Caymmi em Lenda do Abaeté, resgata o folclore de Bate canela que casa com Kaô, parceria de Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter. Termina com o samba Mora na filosofia, uma espécie de malandragem vestida com roupa de gala.
Mônica não se intimida e consegue imprimir sua digital em canções que ficaram marcadas anteriormente. No campo das grandes cantoras, relê Saudades dos aviões na Panair, parceria de Milton Nascimento e Fernando Brant imortalizada por Elis Regina, e Esconjuros, da dobradinha mágica de Guinga e Aldir Blanc gravada magistralmente por Leila Pinheiro.
Nem 1 ai vem de uma apresentação da cantora em São Paulo. Depois do show bastaram duas sessões no estúdio para registrar. A edição em CD não pretende trazer novidades e nem surpresas; não é esse o objetivo da cantora. O lançamento vem para disponibilizar e tornar público o trabalho que estava guardado. Nem 1 ai é mais um passo da cantora na formação de uma carreira sólida e independente, que não busca o sucesso fácil e sim uma carreira consistente."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

MÔNICA SALMASO NO SOM BRASIL: NOTÍCIA OFICIAL



O Som do Brasil em alto estilo.
No dia 25 de Julho, o Som Brasil segue a temporada 2008 homenageando mais um grande intérprete da MPB, depois do Programa do Jô, com a exibição de Som Brasil – Edu Lobo.Sob o comando de Letícia Sabatella, a 4ª edição do Som Brasil deste ano tem como convidados Zizi Possi, versátil cantora de voz atraente e com notável repertório internacional; Mônica Salmaso, que repete o sucesso da parceria com o Grupo Pau Brasil; Thaís Gulin, irreverente cantora e compositora curitibana; e Nação Zumbi, banda fundada pelo lendário Chico Science, que fundou o movimento Mangebeat. Juntos com Edu, eles relembram sucessos como Ponteio, Vento Bravo, A História de Lili Braun, Canção do Amanhecer, Beatriz, Ciranda de Bailarina, Casa Forte, Corrida de Jangada, Choro Bandido, Pra dizer Adeus, Cirandeiro, Upa Neguinho e Viola Fora de Moda.Aos 64 anos, o cantor, compositor e violeiro carioca Eduardo de Góis Lobo, o Edu Lobo, consolida uma carreira admirável. Filho do também compositor Fernando Lobo, especializou-se em violão, iniciando-se nos anos 60 com forte influência da bossa nova. Com a parceria de Vinicius de Moraes, veio seu primeiro prêmio em 1965 pela canção Arrastão e, com Capinam, gravou Ponteio, Corrida de Jangada e Cirandeiro. Ao partir para espetáculos teatrais, Edu Lobo compôs em 1964 ao lado de Gianfrancesco Guarnieri Upa Neguinho, cantada mais tarde por Elis Regina. Desta empreitada teatral, iniciou-se ainda uma duradoura parceria com Chico Buarque em 1963, com quem compôs Choro Bandido, História de Lili Braun, Beatriz e Ciranda da Bailarina. Em 1981, lançou com Tom Jobim o sucesso “Edu e Tom” e nos anos 90 continuou lançando discos com músicas inéditas e compondo trilhas sonoras. Hoje, com um repertório de quase 200 obras, Edu Lobo ocupa seu lugar na constelação de estrelas que rege nossa MPB.

sábado, 28 de junho de 2008

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição SÃO LUÍS

NOITE DE ÊXTASE


Pode(ría)mos simplesmente torcer o nariz e repetir a pergunta: "mais um tributo a Chico Buarque?". E, mais que isso, achar fácil fazê-lo, já que material é o que não falta. Mas o resultado conseguido por Mônica Salmaso e pelo grupo Pau Brasil em Noites de gala, samba na rua é algo incrível. O repertório é equilibrado: a turma não se limita aos grandes clássicos buarqueanos, tampouco grava/toca somente o lado b do lado b.Perfeito o disco, perfeito também o show baseado em seu repertório, apresentado no Teatro Arthur Azevedo, sexta (6) e sábado (7), 20h. Som, luz, repertório, inte(g)ração entre os músicos e a cantora (que também se arriscava numa percussão ocasional) e entre os músicos entre si: musicalmente, eis a perfeita tradução para a palavra perfeição, sem exageros de novela mexicana ou redundâncias do blogueiro.Novidades a cada canção do repertório, músicos se revezavam no palco, e Salmaso ia trocando intimidades com um e com outro, ficando sozinha com Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violões), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Ricardo Mosca (bateria) e trocando até beijinho na boca com o marido Teco Cardoso (sax e flautas). A banda masculina do público presente não ficou com ciúmes, extasiadas que estavam, todas as almas ali presentes.Mônica contou histórias, falou de sua relação com São Luís, cidade que ilustra em p&b o encarte do disco, agradável surpresa. E se disse feliz pelo patrocínio do Bradesco Prime, que estava oportunizando a turnê que percorreria 21 cidades brasileiras em 42 shows com ingressos a preços populares (na capital maranhense custavam R$ 20,00 e R$ 10,00 -- meia para estudantes com carteira --, mas eis o show que você pagaria R$ 100,00 ou mais e não se arrependeria, pode ter certeza). Eu, que não gosto de bater palmas para bancos, tive que me render: feliz iniciativa.Silenciei quase sempre quando pensei em fazer qualquer comentário com o trio de amigos que me acompanhava: o show não podia ser interrompido por absolutamente nada. Deixei todos os comentários para após o show (desnecessários, nada do que eu diga, traduz) e não os fiz, mesa de bar que não fui após, pra quê serve este blogue?Nem mesmo cantar, acompanhando a parte mais conhecida do repertório, eu quis. Trincar o cristal da audição com a pedra bruta de minha voz? Nem pensar...Imperfeição, Graziela tinha compromisso com um curso no horário do show e não pode me acompanhar. Sim, houve um vazio imenso na noite. Mas disso, nem Mônica Salmaso nem o Pau Brasil têm culpa.


Fonte: http://zemaribeiro.blogspot.com/2008/06/noite-de-xtase.html

Cantora contou com forças “cybernaturais” para gravar Noites de Gala, Samba na Rua

Foi sob a garoa de uma típica noite de outono paulistana que Mônica Salmaso, armada até os dentes de música e excitação, escolheu o palco do Teatro FECAP no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, para gravar o DVD de Noites de Gala, Samba na Rua, quinto disco da cantora pelo selo da Biscoito Fino - mas não sem antes agradecer aos responsáveis para que aquele momento fosse realizado.
O registro, uma aventura de releituras buarquianas em parceria com o grupo Pau Brasil, recebeu o apoio de um abaixo-assinado virtual promovido pelo Orkut para que se concretizasse. O evento aconteceu em 13 de março, mas a história por trás da gravação começou há quase três anos, em Feira de Santana, Bahia.
A idéia foi da professora de Geografia e estudante de publicidade Valéria Nanci, que se dizia cansada de ver o trabalho de Salmaso pouco veiculado pela mídia, além dos CDs vendidos a preços exorbitantes nas lojas virtuais, já que em Feira de Santana pouco se encontra algo da cantora disponível para compra.
O primeiro contato dela com a artista aconteceu em 2000, mas só um ano depois, numa reprise do show feito por Salmaso no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia [IRDEB] transmitida pela TVE [BA], é que Valéria atentou para o potencial da cantora. “Percebi ali que não tinha me interessado logo de cara pelo trabalho dela porque ainda não tinha mergulhado no mundo de Mônica Salmaso”, relembra a fã. A relação com Salmaso vem da mesma época. A professora se correspondia freqüentemente com a cantora via e-mail, e chegou ela mesma a produzir um DVD com apresentações aleatórias da artista.
A peregrinação em prol desse novo DVD começou em agosto de 2005, através de um e-mail enviado por Valéria ao gerenciador da comunidade da Biscoito Fino no Orkut, que naquela época só possuía 399 membros . A proposta de fazer um abaixo-assinado virtual não era simples de ser aceita, mas a fã conta que não custava nada arriscar. “Me comuniquei com o administrador da comunidade pedindo que falasse com a Olívia Hime [dona da gravadora], pra checar a possibilidade de fazer um DVD. Ele me respondeu que se eu conseguisse umas 300 assinaturas, daria certo”.
A solução encontrada por Valéria foi usar a mesma ferramenta que a aproximou da gravadora para divulgar a petição. Para colher o maior número possível de assinaturas, foi criado o tópico na comunidade da Biscoito Fino, e logo após o link com acesso direto ao “documento” também foi postado em comunidades relacionadas a artista para atrair outros simpatizantes a causa.
Até o dia da gravação, a comunidade possuía cerca de 150 assinaturas, correspondente a metade do número requerido pela gravadora para promover o show. Se contribuiu para o registro ou não, Valéria alega que o importante mesmo é ele ter acontecido. “Saber que por conta dele a gravadora resolveu apostar mais no trabalho da Mônica, pra mim, é que foi um presente!”. O DVD segue em pós-produção, ainda sem previsão de lançamento.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição BELÉM

EQUIPE (MÔNICA SALMASO)




por Regina Makarem, de Belém

Noites de gala, samba na rua – no Theatro da Paz
Mônica Salmaso apresenta seu raro talento e a imbatível simpatia pela 4ª vez em Belém. No dia 17. Cativou, por artes feiticeiras de sua voz personalíssima – gente, desculpem, mas aqui cabe o superlativo – uma fatia substancial do público mais exigente. Na entrevista ao jornal local, conseguiu a proeza de empolgar uma apresentadora que, de hábito, é contida, para não dizer sisuda... estavam as duas ao ponto de trocar intimidades de comadres, tal o poder natural de Mônica em deixar as pessoas desarmadas, à vontade. Humor constante e inteligente, excelente contadora de estórias, com tiradas que não sei de onde as saca com tanta precisão e galhardia. Há de ser uma adorável companhia.
Das vezes em que fui assistir a cantora, surpreendeu-me a lotação das casas e a devoção da platéia, os arroubos, exclamações apaixonadas, até o ponto de ver, aqui e ali, uma mal disfarçada lágrima. Minha, inclusive. E desta vez, também da filha que já encontrei a minha espera, num dia apertado assaz apertado mas que não a impediria de desfrutar de tal menu. Assistimos a tudo bem juntinhas, uma protegendo a outra das artes traiçoeiras da emoção mais funda, que nessas horas pode representar um duro vexame...
Bom, o teatro lotou. Mônica ousou, apostou no sonho que não saiu mais do seu coração desde que entrou uma vez no teatro da Paz, quando hospedada num hotel ao lado e assistiu a um ensaio. Conta que desejou intensamente cantar ali. Até que conseguiu o patrocínio do Bradesco Prime para levar o show a 21 cidades brasileiras. O sonho aconteceu. Queria oferecer o espetáculo um preço acessível e conseguiu. Mas estou atropelando a narração dos fatos que realmente interessam.
O show traz ao público, oficialmente, o disco “Noites de Gala, Samba na Rua”, reverenciando o compositor Chico Buarque. Acompanhada pelo Quinteto Pau Brasil, Mônica Salmaso retira da sua alma todo sentimento que sorveu das canções do nosso ídolo. E tudo espalha, magnânima, num tapete de sons prateados. Porque Chico é o nosso ídolo. Sem discussão. E tal homenagem, em vida, deve ter sido inestimável presente de fã e artista, que a ele comoveu.
A atual formação do Quinteto Pau Brasil é: Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (baixo), Teco Cardoso (sax e flautas), Ricarado Mosca (bateria) e Paulo Bellinati (violão). Imaginem o que é escutar e ver, sentir toda vibração de Mônica Salmaso acompanhada por tais instrumentistas. Impossível descrever, principalmente em se tratando de alguém sabidamente ignorante musicalmente. Falo de mim, claro. Mas vocês bem conhecem esses músicos respeitáveis, que preservam as raízes dos nossos sons, mesmo interpretando um som universal, de tantos matizes, sempre inventivos, apaixonados e capazes de inovar. Não é fácil. Mas eles fazem parecer que sim, do jeito que brincam com os sons e se mostram divertidos.
Já escrevi sobre a Mônica muitas vezes. Já comentei o disco. Não vou me repetir, porque reconheço que me esgoto na primeira apresentação. Conto apenas um pouquinho do que se passou naquele espetáculo de quase 2 horas. Começou com A Volta do Malandro lançou chispas pelo teatro, eletrizando logo todos os corações, e desta vez a moça se vestiu de brilhos - quem diria? -, num casaquinho de arco-íris. Ela que exagera somente no brilho da voz e se mostra tão limpa de qualquer adereço, com isso destacando ainda mais a pureza do seu canto. Voz de santa, como disse o Rodolfo Stroeter, diadema e véu... Ensaia uns passos de dança, impecavelmente conduzida por tantos e tão exímios cavalheiros de uma vez. Seus gestos são suaves e certeiros, como notas musicais afinadas e perfeitamente cadenciadas. Bonito de se ver.
Quem te viu e quem te vê a gente pode imaginar que não suportaria escutar de novo. Mas além da delícia da voz, vem em contraponto com a flauta do amado, num dueto que é puro amor, festejado pelos demais instrumentos. Me fez pensar: com um Quinteto assim, quem sabe até eu me deixaria arrebatar desse jeito?... Se tivesse a graça celestial de cantar assim. É claro. Que tolice a minha.
Terminado o número, Mônica confessa seu carinho por Belém, contando tudo desde a primeira apresentação pelo Projeto Pixinguinha, numa noite de chuva tão forte que quase não acontece o show. Nem eu fui porque o local de apresentação não estava preparado para um toró de tal intensidade. Conta que ficou surpresa e emocionada com o público que ainda assim, contra todas as intempéries, compareceu. Me contaram que ela chorou. Linda.
Chico conta que fez Você Você (Guinga e Chico Buarque) para o neto. Ela a princípio achou estranho, mas percebeu que tudo se encaixava e ficava ainda mais bonita a canção dentro dessa perspectiva. E tudo fez mais sentido quando o filho Téo nasceu. Minha sensibilidade não alcançou este sentido. Só acho que ela deveria ter soltado os cabelos no meio da interpretação. Por que amarrar os cabelos daquele jeito?
Para a canção seguinte, um intervalo de afinação com uma caixinha que Mônica tocaria, não sei que instrumento seria aquele... demorou um pouco e de repente, um coro de oh! ahhh!.. de pura delícia ecoou pelo espaço. Da outra ponta onde estava o Bellinati, derramam-se bolinhas coloridas de sabão, sopradas pelo violonista, e em acordes que respondiam a espécie de caixinha de música da Mônica, tem início a Ciranda da Bailarina. É isso mesmo, foi um momento mágico (como dizer de outra forma?), Larissa deitou a cabecinha no meu ombro e minha alminha saiu lépida até o palco, ensaiando passinhos trôpegos da bailarina que eu quis ser quando criança... cantamos junto, Larissa e eu, mas bem mansinho, até a garganta apertar demais...
Se me perguntassem – e por que alguém iria me perguntar? – qual foi o momento supremo da noite, talvez eu dissesse que foi Construção. Porque a todos que estavam na nossa frisa, e nas frisas vizinhas - todos com os nervos frisados de tanto que esticaram até doer -, pareceu que havia sido composta e apresentada pela primeira vez ali, naquele instante fatal e para o nosso regalo completo. Refeição espiritual que há de saciar por muito tempo a nossa fome de beleza. Além da letra concretista perfeita e sempre contemporânea, os instrumentos expunham o cenário de todas as vidas vividas pelo operário no seu dia de graça e maldição. Estava tudo presente naqueles poucos minutos, a rua, a construção, a fome, o sonho que nunca chega, a urgência da vida que segue atropelando a própria vida. Tudo em suspenso, ninguém respirou até as notas finais. Eu mesma estava roxinha...
Olha Maria, em arranjo de Paulo Bellinati, conjugou de tal modo a voz e as cordas que não se conseguia dissociar as notas, o que é da moça, o que é dos dedos do moço... Ressaltando a beleza do timbre, que é somente dela. Mônica Salmaso *é* aquela voz. A voz puríssima é a sua verdade, a razão por que veio até este mundo. Até este teatro. Até a minha vida. Há muitas vozes lindas pelo meu país, mas na maior parte são tão parecidas... quando escuto, fico me perguntando a quem pertence esta e aquela. Por isso, desde o início chamei a Mônica de Rouxinol. Como as aves, cada uma com seu canto peculiar, ela tem a sua marca: Mônica Salmaso.
O ponto alto do CD é O Velho Francisco. Por todos os motivos juntos. A intensa carga dramática da história me traz soluços engolidos à força. E quando a Mônica me cantou novamente – e por primeiro - a crônica do velho abandonado, foi tão dolente o seu cantar, que não deu pra engolir, nem com toda coca-cola da casa, os soluços. Desta feita, naquele “muito maravilhos0” teatro lotado de devotos, foi uma dor como nunca antes, mas uma dor de gostar de sentir.
Logo Eu, em duo com Teco Cardoso, foi uma confidência muito íntima do casal, que a gente não vai contar pra ninguém...
O Quinteto apresentou uma composição de Paulo Bellinati denominada Pulo do Gato onde cada músico exibe além do pulo, o fôlego de suas sete vidas, sete notas que se multiplicam. Um espetáculo que certamente faz a gente sair do teatro melhor do que quando lá entrou. Como disse a Mônica. Entre outras coisas.
A perfeição poética e lingüística de que é feita Suburbano Coração foi composta para a voz da Mônica, mil dias antes de Chico a conhecer. Tenho certeza.
Mônica contou que Chico estava escrevendo a letra de Ode aos Ratos (Edu Lobo e Chico), quando embatucou e ligou para Paulo Vanzolini, conhecedor de música e sabedor dos bichos, e perguntou: “- Paulo, como é o nariz do rato? É macio? É fofinho? Como é o lance do nariz do rato?” porque Chico queria ser fiel à compleição dos ratos. Vanzolini respondeu: - Chico, você já mentiu tanto às mulheres nas suas canções... mente pro rato!” E Chico desferiu esta: “- Rato eu respeito...”
Bom, isso aqui está ficando comprido... resta falar de “Quadrilha” que inicia com um solo de bateria admirável e tem uma interpretação muito, muito pessoal. Depois Bom Tempo, que tem acompanhamento do pandeirinho e pratos da Mônica, num clima domingueiro, entremeado de vocalize de voz e flauta, tão justos e coladinhos que não se sabe qual é o instrumento e onde começa e termina a voz. Como se a voz não fosse o instrumento que ela toca à perfeição... Ora!
Partido Alto é daquelas canções que o compositor acaba perdendo para o povo. Todos tão contidos, ninguém queria outro som que não viesse do palco, porque nada ali se podia desperdiçar. Mas, aos primeiros acordes, a voz do público entoa, possessiva, como quem se dá conta: é nossa!
Ao retorno para o bis, Mônica e Paulo Bellinati em Beatriz. Nossa! E a apoteose de encerramento foi um presente composto pelo Rodolfo Stroeter, em que Mônica apresenta o Quinteto e Rodolfo apresenta, ao final, a cantora que tem “voz de Santa”. É um repente muito gostoso, gostaria de obter a letra. alguém teria?...
Bem, foi mais ou menos assim. Melhor para descrever só ao vivo. Um detalhe que não posso deixar de registrar é que estavam na nossa frisa dois casais de namorados bem jovenzinhos, mas tão empolgados, tocados fundamente naquele lugar... como direi? imponderável e só de raro em raro freqüentado. Eu vi as pessoas se transformarem em anjos naquela noite. Juro.
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