sábado, 28 de junho de 2008

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição SÃO LUÍS

NOITE DE ÊXTASE


Pode(ría)mos simplesmente torcer o nariz e repetir a pergunta: "mais um tributo a Chico Buarque?". E, mais que isso, achar fácil fazê-lo, já que material é o que não falta. Mas o resultado conseguido por Mônica Salmaso e pelo grupo Pau Brasil em Noites de gala, samba na rua é algo incrível. O repertório é equilibrado: a turma não se limita aos grandes clássicos buarqueanos, tampouco grava/toca somente o lado b do lado b.Perfeito o disco, perfeito também o show baseado em seu repertório, apresentado no Teatro Arthur Azevedo, sexta (6) e sábado (7), 20h. Som, luz, repertório, inte(g)ração entre os músicos e a cantora (que também se arriscava numa percussão ocasional) e entre os músicos entre si: musicalmente, eis a perfeita tradução para a palavra perfeição, sem exageros de novela mexicana ou redundâncias do blogueiro.Novidades a cada canção do repertório, músicos se revezavam no palco, e Salmaso ia trocando intimidades com um e com outro, ficando sozinha com Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violões), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Ricardo Mosca (bateria) e trocando até beijinho na boca com o marido Teco Cardoso (sax e flautas). A banda masculina do público presente não ficou com ciúmes, extasiadas que estavam, todas as almas ali presentes.Mônica contou histórias, falou de sua relação com São Luís, cidade que ilustra em p&b o encarte do disco, agradável surpresa. E se disse feliz pelo patrocínio do Bradesco Prime, que estava oportunizando a turnê que percorreria 21 cidades brasileiras em 42 shows com ingressos a preços populares (na capital maranhense custavam R$ 20,00 e R$ 10,00 -- meia para estudantes com carteira --, mas eis o show que você pagaria R$ 100,00 ou mais e não se arrependeria, pode ter certeza). Eu, que não gosto de bater palmas para bancos, tive que me render: feliz iniciativa.Silenciei quase sempre quando pensei em fazer qualquer comentário com o trio de amigos que me acompanhava: o show não podia ser interrompido por absolutamente nada. Deixei todos os comentários para após o show (desnecessários, nada do que eu diga, traduz) e não os fiz, mesa de bar que não fui após, pra quê serve este blogue?Nem mesmo cantar, acompanhando a parte mais conhecida do repertório, eu quis. Trincar o cristal da audição com a pedra bruta de minha voz? Nem pensar...Imperfeição, Graziela tinha compromisso com um curso no horário do show e não pode me acompanhar. Sim, houve um vazio imenso na noite. Mas disso, nem Mônica Salmaso nem o Pau Brasil têm culpa.


Fonte: http://zemaribeiro.blogspot.com/2008/06/noite-de-xtase.html

Cantora contou com forças “cybernaturais” para gravar Noites de Gala, Samba na Rua

Foi sob a garoa de uma típica noite de outono paulistana que Mônica Salmaso, armada até os dentes de música e excitação, escolheu o palco do Teatro FECAP no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, para gravar o DVD de Noites de Gala, Samba na Rua, quinto disco da cantora pelo selo da Biscoito Fino - mas não sem antes agradecer aos responsáveis para que aquele momento fosse realizado.
O registro, uma aventura de releituras buarquianas em parceria com o grupo Pau Brasil, recebeu o apoio de um abaixo-assinado virtual promovido pelo Orkut para que se concretizasse. O evento aconteceu em 13 de março, mas a história por trás da gravação começou há quase três anos, em Feira de Santana, Bahia.
A idéia foi da professora de Geografia e estudante de publicidade Valéria Nanci, que se dizia cansada de ver o trabalho de Salmaso pouco veiculado pela mídia, além dos CDs vendidos a preços exorbitantes nas lojas virtuais, já que em Feira de Santana pouco se encontra algo da cantora disponível para compra.
O primeiro contato dela com a artista aconteceu em 2000, mas só um ano depois, numa reprise do show feito por Salmaso no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia [IRDEB] transmitida pela TVE [BA], é que Valéria atentou para o potencial da cantora. “Percebi ali que não tinha me interessado logo de cara pelo trabalho dela porque ainda não tinha mergulhado no mundo de Mônica Salmaso”, relembra a fã. A relação com Salmaso vem da mesma época. A professora se correspondia freqüentemente com a cantora via e-mail, e chegou ela mesma a produzir um DVD com apresentações aleatórias da artista.
A peregrinação em prol desse novo DVD começou em agosto de 2005, através de um e-mail enviado por Valéria ao gerenciador da comunidade da Biscoito Fino no Orkut, que naquela época só possuía 399 membros . A proposta de fazer um abaixo-assinado virtual não era simples de ser aceita, mas a fã conta que não custava nada arriscar. “Me comuniquei com o administrador da comunidade pedindo que falasse com a Olívia Hime [dona da gravadora], pra checar a possibilidade de fazer um DVD. Ele me respondeu que se eu conseguisse umas 300 assinaturas, daria certo”.
A solução encontrada por Valéria foi usar a mesma ferramenta que a aproximou da gravadora para divulgar a petição. Para colher o maior número possível de assinaturas, foi criado o tópico na comunidade da Biscoito Fino, e logo após o link com acesso direto ao “documento” também foi postado em comunidades relacionadas a artista para atrair outros simpatizantes a causa.
Até o dia da gravação, a comunidade possuía cerca de 150 assinaturas, correspondente a metade do número requerido pela gravadora para promover o show. Se contribuiu para o registro ou não, Valéria alega que o importante mesmo é ele ter acontecido. “Saber que por conta dele a gravadora resolveu apostar mais no trabalho da Mônica, pra mim, é que foi um presente!”. O DVD segue em pós-produção, ainda sem previsão de lançamento.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição BELÉM

EQUIPE (MÔNICA SALMASO)




por Regina Makarem, de Belém

Noites de gala, samba na rua – no Theatro da Paz
Mônica Salmaso apresenta seu raro talento e a imbatível simpatia pela 4ª vez em Belém. No dia 17. Cativou, por artes feiticeiras de sua voz personalíssima – gente, desculpem, mas aqui cabe o superlativo – uma fatia substancial do público mais exigente. Na entrevista ao jornal local, conseguiu a proeza de empolgar uma apresentadora que, de hábito, é contida, para não dizer sisuda... estavam as duas ao ponto de trocar intimidades de comadres, tal o poder natural de Mônica em deixar as pessoas desarmadas, à vontade. Humor constante e inteligente, excelente contadora de estórias, com tiradas que não sei de onde as saca com tanta precisão e galhardia. Há de ser uma adorável companhia.
Das vezes em que fui assistir a cantora, surpreendeu-me a lotação das casas e a devoção da platéia, os arroubos, exclamações apaixonadas, até o ponto de ver, aqui e ali, uma mal disfarçada lágrima. Minha, inclusive. E desta vez, também da filha que já encontrei a minha espera, num dia apertado assaz apertado mas que não a impediria de desfrutar de tal menu. Assistimos a tudo bem juntinhas, uma protegendo a outra das artes traiçoeiras da emoção mais funda, que nessas horas pode representar um duro vexame...
Bom, o teatro lotou. Mônica ousou, apostou no sonho que não saiu mais do seu coração desde que entrou uma vez no teatro da Paz, quando hospedada num hotel ao lado e assistiu a um ensaio. Conta que desejou intensamente cantar ali. Até que conseguiu o patrocínio do Bradesco Prime para levar o show a 21 cidades brasileiras. O sonho aconteceu. Queria oferecer o espetáculo um preço acessível e conseguiu. Mas estou atropelando a narração dos fatos que realmente interessam.
O show traz ao público, oficialmente, o disco “Noites de Gala, Samba na Rua”, reverenciando o compositor Chico Buarque. Acompanhada pelo Quinteto Pau Brasil, Mônica Salmaso retira da sua alma todo sentimento que sorveu das canções do nosso ídolo. E tudo espalha, magnânima, num tapete de sons prateados. Porque Chico é o nosso ídolo. Sem discussão. E tal homenagem, em vida, deve ter sido inestimável presente de fã e artista, que a ele comoveu.
A atual formação do Quinteto Pau Brasil é: Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (baixo), Teco Cardoso (sax e flautas), Ricarado Mosca (bateria) e Paulo Bellinati (violão). Imaginem o que é escutar e ver, sentir toda vibração de Mônica Salmaso acompanhada por tais instrumentistas. Impossível descrever, principalmente em se tratando de alguém sabidamente ignorante musicalmente. Falo de mim, claro. Mas vocês bem conhecem esses músicos respeitáveis, que preservam as raízes dos nossos sons, mesmo interpretando um som universal, de tantos matizes, sempre inventivos, apaixonados e capazes de inovar. Não é fácil. Mas eles fazem parecer que sim, do jeito que brincam com os sons e se mostram divertidos.
Já escrevi sobre a Mônica muitas vezes. Já comentei o disco. Não vou me repetir, porque reconheço que me esgoto na primeira apresentação. Conto apenas um pouquinho do que se passou naquele espetáculo de quase 2 horas. Começou com A Volta do Malandro lançou chispas pelo teatro, eletrizando logo todos os corações, e desta vez a moça se vestiu de brilhos - quem diria? -, num casaquinho de arco-íris. Ela que exagera somente no brilho da voz e se mostra tão limpa de qualquer adereço, com isso destacando ainda mais a pureza do seu canto. Voz de santa, como disse o Rodolfo Stroeter, diadema e véu... Ensaia uns passos de dança, impecavelmente conduzida por tantos e tão exímios cavalheiros de uma vez. Seus gestos são suaves e certeiros, como notas musicais afinadas e perfeitamente cadenciadas. Bonito de se ver.
Quem te viu e quem te vê a gente pode imaginar que não suportaria escutar de novo. Mas além da delícia da voz, vem em contraponto com a flauta do amado, num dueto que é puro amor, festejado pelos demais instrumentos. Me fez pensar: com um Quinteto assim, quem sabe até eu me deixaria arrebatar desse jeito?... Se tivesse a graça celestial de cantar assim. É claro. Que tolice a minha.
Terminado o número, Mônica confessa seu carinho por Belém, contando tudo desde a primeira apresentação pelo Projeto Pixinguinha, numa noite de chuva tão forte que quase não acontece o show. Nem eu fui porque o local de apresentação não estava preparado para um toró de tal intensidade. Conta que ficou surpresa e emocionada com o público que ainda assim, contra todas as intempéries, compareceu. Me contaram que ela chorou. Linda.
Chico conta que fez Você Você (Guinga e Chico Buarque) para o neto. Ela a princípio achou estranho, mas percebeu que tudo se encaixava e ficava ainda mais bonita a canção dentro dessa perspectiva. E tudo fez mais sentido quando o filho Téo nasceu. Minha sensibilidade não alcançou este sentido. Só acho que ela deveria ter soltado os cabelos no meio da interpretação. Por que amarrar os cabelos daquele jeito?
Para a canção seguinte, um intervalo de afinação com uma caixinha que Mônica tocaria, não sei que instrumento seria aquele... demorou um pouco e de repente, um coro de oh! ahhh!.. de pura delícia ecoou pelo espaço. Da outra ponta onde estava o Bellinati, derramam-se bolinhas coloridas de sabão, sopradas pelo violonista, e em acordes que respondiam a espécie de caixinha de música da Mônica, tem início a Ciranda da Bailarina. É isso mesmo, foi um momento mágico (como dizer de outra forma?), Larissa deitou a cabecinha no meu ombro e minha alminha saiu lépida até o palco, ensaiando passinhos trôpegos da bailarina que eu quis ser quando criança... cantamos junto, Larissa e eu, mas bem mansinho, até a garganta apertar demais...
Se me perguntassem – e por que alguém iria me perguntar? – qual foi o momento supremo da noite, talvez eu dissesse que foi Construção. Porque a todos que estavam na nossa frisa, e nas frisas vizinhas - todos com os nervos frisados de tanto que esticaram até doer -, pareceu que havia sido composta e apresentada pela primeira vez ali, naquele instante fatal e para o nosso regalo completo. Refeição espiritual que há de saciar por muito tempo a nossa fome de beleza. Além da letra concretista perfeita e sempre contemporânea, os instrumentos expunham o cenário de todas as vidas vividas pelo operário no seu dia de graça e maldição. Estava tudo presente naqueles poucos minutos, a rua, a construção, a fome, o sonho que nunca chega, a urgência da vida que segue atropelando a própria vida. Tudo em suspenso, ninguém respirou até as notas finais. Eu mesma estava roxinha...
Olha Maria, em arranjo de Paulo Bellinati, conjugou de tal modo a voz e as cordas que não se conseguia dissociar as notas, o que é da moça, o que é dos dedos do moço... Ressaltando a beleza do timbre, que é somente dela. Mônica Salmaso *é* aquela voz. A voz puríssima é a sua verdade, a razão por que veio até este mundo. Até este teatro. Até a minha vida. Há muitas vozes lindas pelo meu país, mas na maior parte são tão parecidas... quando escuto, fico me perguntando a quem pertence esta e aquela. Por isso, desde o início chamei a Mônica de Rouxinol. Como as aves, cada uma com seu canto peculiar, ela tem a sua marca: Mônica Salmaso.
O ponto alto do CD é O Velho Francisco. Por todos os motivos juntos. A intensa carga dramática da história me traz soluços engolidos à força. E quando a Mônica me cantou novamente – e por primeiro - a crônica do velho abandonado, foi tão dolente o seu cantar, que não deu pra engolir, nem com toda coca-cola da casa, os soluços. Desta feita, naquele “muito maravilhos0” teatro lotado de devotos, foi uma dor como nunca antes, mas uma dor de gostar de sentir.
Logo Eu, em duo com Teco Cardoso, foi uma confidência muito íntima do casal, que a gente não vai contar pra ninguém...
O Quinteto apresentou uma composição de Paulo Bellinati denominada Pulo do Gato onde cada músico exibe além do pulo, o fôlego de suas sete vidas, sete notas que se multiplicam. Um espetáculo que certamente faz a gente sair do teatro melhor do que quando lá entrou. Como disse a Mônica. Entre outras coisas.
A perfeição poética e lingüística de que é feita Suburbano Coração foi composta para a voz da Mônica, mil dias antes de Chico a conhecer. Tenho certeza.
Mônica contou que Chico estava escrevendo a letra de Ode aos Ratos (Edu Lobo e Chico), quando embatucou e ligou para Paulo Vanzolini, conhecedor de música e sabedor dos bichos, e perguntou: “- Paulo, como é o nariz do rato? É macio? É fofinho? Como é o lance do nariz do rato?” porque Chico queria ser fiel à compleição dos ratos. Vanzolini respondeu: - Chico, você já mentiu tanto às mulheres nas suas canções... mente pro rato!” E Chico desferiu esta: “- Rato eu respeito...”
Bom, isso aqui está ficando comprido... resta falar de “Quadrilha” que inicia com um solo de bateria admirável e tem uma interpretação muito, muito pessoal. Depois Bom Tempo, que tem acompanhamento do pandeirinho e pratos da Mônica, num clima domingueiro, entremeado de vocalize de voz e flauta, tão justos e coladinhos que não se sabe qual é o instrumento e onde começa e termina a voz. Como se a voz não fosse o instrumento que ela toca à perfeição... Ora!
Partido Alto é daquelas canções que o compositor acaba perdendo para o povo. Todos tão contidos, ninguém queria outro som que não viesse do palco, porque nada ali se podia desperdiçar. Mas, aos primeiros acordes, a voz do público entoa, possessiva, como quem se dá conta: é nossa!
Ao retorno para o bis, Mônica e Paulo Bellinati em Beatriz. Nossa! E a apoteose de encerramento foi um presente composto pelo Rodolfo Stroeter, em que Mônica apresenta o Quinteto e Rodolfo apresenta, ao final, a cantora que tem “voz de Santa”. É um repente muito gostoso, gostaria de obter a letra. alguém teria?...
Bem, foi mais ou menos assim. Melhor para descrever só ao vivo. Um detalhe que não posso deixar de registrar é que estavam na nossa frisa dois casais de namorados bem jovenzinhos, mas tão empolgados, tocados fundamente naquele lugar... como direi? imponderável e só de raro em raro freqüentado. Eu vi as pessoas se transformarem em anjos naquela noite. Juro.
* * * * * * *

terça-feira, 17 de junho de 2008

Turnê Noites de gala, samba na rua - Edição CURITIBA

E Se Eu Pudesse Entrar Na Sua Vida*

As luzes se apagam no imenso Teatro Guaira. Segundo balcão na arquitetura de moldes italianos. O cenário lembra um filme de ufologia com suas iluminações de código morse. Talvez Spielberg. A expectativa é grande, o show está atrasado 20 minutos e a casa está cheia, compacta. Todos aguardam a cantora Mônica Salmaso e o grupo instrumental Pau Brasil. O repertório é dedicado a Chico Buarque. Conheço algumas músicas. Estou lendo o programa. Deve ter sido caro esse folder. Muitos na platéia estão ensandecidos. A cantora possui discípulos bem agitados e estridentes. Algumas moças, desconfio, devem ser ex-paquitas. O grupo entra. Aplausos protocolares. Alguém me diz que se trata de uma composição musical histórica. Legal. A cantora, trajando um vestido discreto e elegante, surge de uma das laterais. Estou um pouco longe pra observar com mais crivo seus traços. Os aplausos se intensificam. A partida já se inicia vencida. Um casal muito atrasado atravessa o caminho e, mesmo no breu completo, é possível sentir a vibração dos impropérios. As dimensões do Teatro Guaira deixam os músicos semelhantes às peças de um gigantesco jogo de xadrez e a sintonia entre eles é evidente até para quem não entende nada de música, como eu. O nervosismo inicial da intérprete é muito bem resolvido com algumas tiradas espirituosas. A música, reconheço, é mera desculpa e escapismo pessoal. Não entendo nada de música, mas poucas coisas me fazem derramar tantas letras. (e de forma tão natural). Após o pior dos shows, sou capaz de produzir um livro inteiro de culinária pra vender no Calçadão da XV e não são raras às vezes em que penso que tudo mais possa ir para o inferno enquanto houver uma melodia entoada na entrada do caldeirão. Logo me arrependo desses pensamentos de aspectos reduzidos. A constatação existencial do vazio aliada ao preenchimento imediato de som deixa a alusão final de que algo falta, como se precisássemos de um elemento de ligação entre o universo musical e o complexo mundo interior, palco das sombras e dos amores reprimidos. Sempre há uma mulher. A cantora segue à risca o riquíssimo repertório e a efusão de fanatismo faz com que o público aplauda diversas vezes fora de hora. As desculpas são válidas. A apresentação é digna do conceito de espetáculo e chega a ser ultrajante acreditar que tamanho virtuosismo, competência e organização custem 10 reais - o preço de uma dose nas casas de tolerância ou de um vinil mais ou menos raro do Wando. Assim como todo grande filme possui momentos sagrados em que a tela pára pra se eternizar na memória – quem não lembra do Capitão Willard emergindo em busca do Coronel Kurtz em Apocalypse Now, por exemplo –, estava esperando ansiosamente os tais momentos sublimes, ainda não contente com o exercício de qualidade irretocável transbordando no palco. E não foi preciso muita espera: o espetáculo é todo programado pra última música, "Beatriz", do antológico álbum O Grande Circo Místico. Num piano e voz arrepiante, daqueles de fazer o coração se retorcer de melancolia, a simpática e cativante Mônica Salmaso coloca lágrimas nos olhos mais sensíveis e conquista as últimas bases resistentes. Impossível passar incólume. Quando o espetáculo acaba, muitos ainda estão desnorteados. As moças estão ainda mais histéricas. A saída é lenta e reflexiva. Estou entoando "Se eu pudesse entrar na sua vida..." entre olhos marejados e silêncios sepulcrais e é impossível não lembrar das paixões arrasadoras que nos arrematam e ecoam por todo o teatro italiano povoado de pensamentos tristes e ardentes.

Daniel Zanella
*Texto enviado para a Mônica Salmaso, após show em Curitiba.
Comentários sobre o show:
Noronha.'.
Pela primeira vez a cantora obteve um patrocínio que pudesse concretizar o desejo de uma turnê que abrangesse todas as regiões do país. No caso de Curitiba, o show marcará a sua estréia com um show próprio no Guairão, onde cantou uma única vez com a Orquestra Popular de Câmara. Mônica Salmaso e o Grupo Pau Brasil não foram os primeiros a dedicarem um disco inteiro às músicas de Chico Buarque de Hollanda; tampouco serão os últimos.
A beleza da sonoridade deste trabalho poderá ser apreciada “in loco” em Curitiba no próximo dia 13 de junho, no Guairão. Mônica e Pau Brasil fazem aqui o mesmo show que tem percorrido as principais capitais do país, com patrocínio exclusivo do Bradesco Prime.“Noites de gala, samba na rua” traz uma visão própria de Mônica e Grupo Pau Brasil mesmo de canções conhecidas e muito gravadas como “Quem te viu, quem te vê” e “Construção”, que soam contemporâneas. E ousa por não ser um disco “de cantora”, mas de um sexteto, onde os instrumentistas Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violão e cavaquinho), Teco Cardoso (saxofones e flautas), Rodolfo Stroeter (baixo) e Ricardo Moska (bateria e percussão) atuam também como solistas. Pelo repertório e pela proposta do trabalho, “Noites de gala, samba na rua” simboliza um novo patamar na carreira de Mônica Salmaso.

રαfα
eu fui...foi simplesmente PERFEITO!

Carlos
É chover no molhado. Mônica é simplesmente mais que demais.

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição PORTO ALEGRE

Comentários sobre o show:
Anderson
o show é "show"
Como era de se esperar, o show foi ótimo. Entrosamento total entre a Mônica e o Pau Brasil. Talento, competência, simpatia. Enfim, demais!!Atenção especial para canção "Moda do Pau Brasil" (Rodolfo Stroeter e Paulo Bellinati), no bis, onde o pessoal é descontraidamente apresentado.Contagem regressiva pra o dvd, que deve sair até o final do ano. ;-)

Mário Eugênio
Incrível!Imperdível o show! Arranjos lindíssimos!

Volmerio
Obviedade????É óbvio, mas, juntar talentos tão profundos só pode dar um resultado tão maravilhoso!E, ainda tem uma profunda ironia: nunca me imaginei agradecendo ao Bradesco pelo patrocício!!!!!


r!cky
sem dúvida, o melhor show que assisti nos últimos tempos no theatro são pedro. melhor até do que o do wisnik com a ná ozzetti, e isso por si só é um elogio e tanto... também vou esperar pelo dvd. valeu bradesco, o que é bom tem que ser dito... :0)

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição ARACAJU

Comentários sobre o show:
Carlos
O Brasil em estado de graça.

Messias
FenomenalJá tinha visto um show dela há quase 2 anos com o Toninho Ferragutti, no Teatro Rival (RJ). Mas hoje meus pedidos foram atendidos plenamente. Show magnífico, sem retoques (tá, o som na primeira música tava uma porcaria), banda competentíssima e voz sublime, dos deuses mesmo. É impressionante a facilidade que ela tem em cantar músicas tão difíceis como Beatriz. Comparo sempre a Mônica com aquelas cantoras estilo American Idol. É até covardia, eu sei. Mas é tão bom ouvir cantoras "econômicas", que não acham que fazer firulas com a voz é a forma de mostrar a técnica que têm (ou técnica que o Protools faz com que elas tenham). É um alívio ver talento em estado bruto por essas bandas, tão infestadas de porcarias e de músicos de qualidade duvidosa. Tomara que essa exceção se torne regra. Ainda para acabar melhor ainda o dia, ganhei um autógrafo da "fenômeno". Nem gosto muito dessas coisas de tiete mas achei que a ocasião merecia. E nem tive que "pagar o mico", uma amiga fez isso para mim. Ave, Mônica! :)

~* Th *~ ~*
Ave, Mônica! :) [2]

Turnê Noites de Gala, Samba na Rua - Edição SALVADOR


Comentários sobre o show:
Valéria Nanci
Bom, eu sou suspeita pra falar...
Foram anos de espera por este grande dia (13 de maio de 2008). Enfim consegui assistir a um show da Mônica - e conhecê-la, claro!
O show foi sublime. Lembro-me do Rodolfo me perguntando se eu havia gostado e eu lhe respondi com outro questionamento:
- Isso é pergunta que se faça? (e sorri).
Claro que havia amado. Era tudo que mais queria naquele momento. Além disso, "de quebra", levei de recordação o carinho de todos os músicos da banda Pau Brasil. PELAMORDEDEUS: como tocam, hein?!
A Mônica, aqui em Salvador, foi capa do principal caderno de cultura da cidade:

Caíque
Até o momento, o melhor show que já vi este ano. Maravilhoso!!!

♪ Gica
Concordo contigo Caíque!!!!.Eu acredito que vai demorar a acontecer um show tão... perfeito, tão... IMPECÁVEL como esse... Saí levitando do teatro, em estado de graça!Chorei horrores ao ouvir a voz encorpada e maravilhosa de Mônica Salmaso, em interpretações únicas das canções de Chico.O grupo Pau Brasil é espetacular, de uma educação e elegância que deixa a gente mole na cadeira, sem respirar. Se eu morresse ali, juro que iria feliz rsrss...
Apaixonante geeente!! Queria tanto que tivesse novamente!

Antonio
Muito bom o show!!!Muitíssimo bem acompanhada da banda Pau Brasil...Mônica Salmaso presenteou o público baiano com o belíssimo show " Noites de gala, samba na rua" ...desfilando com muita propriedade pelo repertório do mestre Chico Buarque de Hollanda!A voz mais "aveludada" desse país pode ser apreciada pelos ouvidos dos baianos ,ontem em apresentação única no Teatro castro Alves. Que bom saber que nossa música tem talentos excepcionais como os da Mônica e do Pau Brasil. E que há empresas ( Bradesco Prime) que estão atentos à isso...muito bom ter trazido esse show magnífico à Salvador!Sem muitos comentários ...posso taxativamente dizer que o show foi excelente!!!!Bons arranjos, repertório quase irretocável ( queria muito ouvir "João e Maria" na voz dela)...e muita finesse e estilo!Parabéns à todos que compareceram ontem ao TCA numa noite de Gala ...inesquecível!
Bjo à todos!

Madame Sodré
O show foi fantástico e a Mônica tem uma presença de palco espetacular. A voz dela inebriante, suave, contudo não menos expressiva, somada à técnica e o carisma do quinteto Pau Brasil marcaram a noite da terça. Valeu e vale a pena ver esse espetáculo!!!

ॐ Larissa ♪
PERFEITO!Enchi-me de expectativas enormes.Todas foram superadas,Um dos melhores momentos da minha vida.
obs.: Só saí com vontade de nunca mais abrir minha boca p/ cantar!

RENATO
uma emoção indescritivel

Daiane
Declaro:Mônica Salmaso é um dos instrumentos musicais que mais gosto de ouvir! Pra mim o que ela faz está além do canto; é emanação dos mais belos sons!Quanto à banda, eis ali um som gracioso, entrosado, sincero e bem humorado. Acompanhamento perfeito! Sem dúvida, um dos melhores shows que eu já assisti em minha vida!Saudações musicais!